terça-feira, 6 de novembro de 2012


UM BURACO ENORME na cabeceira da ponte sobre o Rio Sertão em São João do Sul está de aniversário esta semana, vai fazer um aninho. Que mimo... O perigo está há tanto tempo ali que já tem grama dentro – de uns 20 cm.

MUDANDO DE BURACO... O que fazer quando a lei perde legitimidade? É fácil encontrar diversos exemplos de ações legitimadas popularmente e mesmo por administrações públicas, mas que são contrárias a lei. Sendo a lei uma organizadora das necessidades sociais, como proceder quando uma vai contra a outra?

VOU CHEGAR AO PONTO de minha reflexão: CRICIÚMA.

MESMO ESTANDO ENQUADRADO NA LEI DA FICHA LIMPA o prefeito Clesio Salvaro concorreu e venceu as eleições do município. Mas não só venceu, ele DEU UM BANHO de votos nos adversários. Algo fora do comum mesmo para alguém que não estivesse impedido por lei de assumir.

E MAIS, esta lei é claramente uma norma de afastamento de “maus exemplos” na política, aplicada, em princípios, a pessoas incapazes de conduzir idoneamente seu cargo. E mesmo todos sabendo de seu julgamento, mesmo todos sabendo de sua condição os eleitores não deixaram dúvida alguma de sua preferência.

COMO ENTENDER E RESOLVER A SITUAÇÃO? Não quero aqui discutir detalhes da ação na justiça, levanto somente a interessante questão de que baseado no resultado das urnas será que o cumprimento da lei trará justiça para a população de Criciúma? Ótima discussão para aprimorar nossos conceitos sobre ambas as coisas. E para ajudar no debate analise o seguinte:

PARA ARISTÓTELES (filósofo que viveu há mais de 300 anos a.C) e foi o pai de muitos conceitos, incluindo política, esta teria como objetivo a moral social - enquanto a ética visaria à moral individual.

ALÉM DISSO, o estado seria superior ao individuo, o bem comum superior ao bem particular. Mas como o estado se compõe de famílias, estas seriam precedentes às necessidades da sociedade. Resumindo, a decisão da maioria das famílias deveria ser o objetivo final das decisões do estado.

EITA, COISINHA DIFÍCIL DE PRATICAR. É por isso que em países mais desenvolvidos em ética, lei, justiça, organização social, etc., a lei maior baseia-se em poucas e fortes premissas e não em dezenas e dezenas de artigos lindos, porem impraticáveis e contraditórios.

SÓ HÁ UMA FORMA DE CRESCER NESTE SENTIDO: discutindo, debatendo, discutindo e debatendo. O caso de Criciúma é um prato cheio para isto.

QUEM SABE NÃO SERIA MAIS PRODUTIVO discutir política do que religião na escola? Afinal esta ultima é uma decisão de tradição da família, que se restringe à ações internas. Mas a política é um caminho trilhado individualmente, embora geralmente siga pensamentos familiares, mas que se aplica unicamente a ações e conseqüências externas.

AFINAL, NÃO ME PARECE QUE OS DOGMAS e valores das religiões estejam sendo aplicadas na política... Infelizmente! Já que tantos beatos os esquecem na hora da campanha. Talvez o caminho inverso, o da discussão da filosofia política com nossas crianças e adolescentes possa nos trazer mais ética ao indispensável processo político de nossa sociedade.

E PARA TERMINAR... “Devemos investir nas crianças para que as novas gerações tenham, sobretudo, a coragem para fazer aquilo que não fizemos.” Leonel Brizola.

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