UM
BURACO ENORME na cabeceira da ponte sobre o Rio Sertão em
São João do Sul está de aniversário esta semana, vai fazer um aninho. Que
mimo... O perigo está há tanto tempo ali que já tem grama dentro – de uns 20
cm.
MUDANDO
DE BURACO... O que fazer quando a lei perde legitimidade? É
fácil encontrar diversos exemplos de ações legitimadas popularmente e mesmo por
administrações públicas, mas que são contrárias a lei. Sendo a lei uma organizadora
das necessidades sociais, como proceder quando uma vai contra a outra?
VOU
CHEGAR AO PONTO de minha reflexão: CRICIÚMA.
MESMO
ESTANDO ENQUADRADO NA LEI DA FICHA LIMPA o prefeito Clesio
Salvaro concorreu e venceu as eleições do município. Mas não só venceu, ele DEU
UM BANHO de votos nos adversários. Algo fora do comum mesmo para alguém que não
estivesse impedido por lei de assumir.
E
MAIS, esta lei é claramente uma norma de afastamento de “maus
exemplos” na política, aplicada, em princípios, a pessoas incapazes de conduzir
idoneamente seu cargo. E mesmo todos sabendo de seu julgamento, mesmo todos
sabendo de sua condição os eleitores não deixaram dúvida alguma de sua
preferência.
COMO
ENTENDER E RESOLVER A SITUAÇÃO? Não quero aqui discutir
detalhes da ação na justiça, levanto somente a interessante questão de que baseado
no resultado das urnas será que o cumprimento da lei trará justiça para a
população de Criciúma? Ótima discussão para aprimorar nossos conceitos sobre
ambas as coisas. E para ajudar no debate analise o seguinte:
PARA
ARISTÓTELES (filósofo que viveu há mais de 300 anos a.C)
e foi o pai de muitos conceitos, incluindo política, esta teria como objetivo a
moral social - enquanto a ética visaria à moral individual.
ALÉM
DISSO, o estado seria superior ao individuo, o bem comum
superior ao bem particular. Mas como o estado se compõe de famílias, estas
seriam precedentes às necessidades da sociedade. Resumindo, a decisão da
maioria das famílias deveria ser o objetivo final das decisões do estado.
EITA,
COISINHA DIFÍCIL DE PRATICAR. É por isso que em países
mais desenvolvidos em ética, lei, justiça, organização social, etc., a lei
maior baseia-se em poucas e fortes premissas e não em dezenas e dezenas de
artigos lindos, porem impraticáveis e contraditórios.
SÓ
HÁ UMA FORMA DE CRESCER NESTE SENTIDO: discutindo, debatendo,
discutindo e debatendo. O caso de Criciúma é um prato cheio para isto.
QUEM
SABE NÃO SERIA MAIS PRODUTIVO discutir política do que
religião na escola? Afinal esta ultima é uma decisão de tradição da família,
que se restringe à ações internas. Mas a política é um caminho trilhado
individualmente, embora geralmente siga pensamentos familiares, mas que se aplica
unicamente a ações e conseqüências externas.
AFINAL,
NÃO ME PARECE QUE OS DOGMAS e valores das religiões estejam sendo
aplicadas na política... Infelizmente! Já que tantos beatos os esquecem na hora
da campanha. Talvez o caminho inverso, o da discussão da filosofia política com
nossas crianças e adolescentes possa nos trazer mais ética ao indispensável
processo político de nossa sociedade.
E
PARA TERMINAR... “Devemos investir nas crianças para que as
novas gerações tenham, sobretudo, a coragem para fazer aquilo que não fizemos.”
Leonel Brizola.
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