sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

NO FECHAR DAS PORTAS DE 2011 o Brasil aparece como 6ª economia mundial, superando o Reino Unido. A sua frente estão Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França, do primeiro ao quinto lugar, respectivamente. França deve ser a próxima economia engolida pelo Brasil nos próximos três anos - embora estejamos muito longe da qualidade de vida destes e de outros países não tão bem cotados.

NOSSO CRESCIMENTO pode ser mensurado pelo índice de investimentos internacionais que cresce a cada ano. Em 2011 chegamos a ter menor risco país do que o país mais solvente do mundo, os EUA. No total, os investimentos estrangeiros deste ano somam US$ 65 bilhões.

PARA EXEMPLIFICAR, uma pequena parte deste montante foi aplicada por um único homem (o mais rico do mundo, diga-se de passagem) o mexicano Calos Slim, dono de um patrimônio avaliado em US$ 63 bilhões, que só em 2011 injetou uma gorjeta de R$ 9,4 bilhões no Brasil, basicamente no ramo das telecomunicações. E promete mais R$ 10 bilhões para 2012, deixando claro sua preferência em investir no Brasil e aumentando nossa “propaganda” lá fora.

EM SANTA CATARINA o governo estadual termina o ano vivendo uma contradição. Se por uma lado amarga os piores índices de aprovação pelo funcionalismo púbico enfrentando importantes (e inúteis?) greves nas diversas categorias, por outro lado conseguiu aumentar sua força dentro da Assembléia Legislativa, juntando PP, PMDB, PPS, PSD, PSDB e PRB - somando 32 deputados votando consigo. Nunca um governo esteve tão forte e tão fragilizado ao mesmo tempo.

NO VALE DO ARARANGUÁ, a maior obra e maior investimento de sua história ganha fôlego, e prazo, para sair do papel. A fixação da barra do Rio Araranguá está cada vez mais próxima de se concretizar. Tanto que antigos “olhos grandes” e agourentos já querem aparecer com co-paternidade do empreendimento.

NO VALE DO MAMPITUBA aparece o primeiro nome feminino ventilado com possível candidatura à majoritária nas eleições do ano que vem. Trata-se de Maria de Quadros Borba do PP de São João do Sul, que hoje lidera todas as ações do Bem Estar Social do município, como Secretária. Além disso, Maria é esposa do Presidente do Diretório Municipal, Caraí João de Borba, também citado como nome forte do partido. Dentro os nomes masculinos do partido aparecem também o Vereador Edson Pereira Trajano, o professor e comerciante Ezequiel T. Lummertz e o agricultor Jalito Scandolara da Silva.

NO JORNAL AMORIM o ano é fechado com chave de ouro. Parabéns a toda equipe da Rede Amorim por todo seu trabalho desenvolvido durante o ano, mas sobretudo pelo belíssimo e comovente caderno especial de Natal.

E O ANO ACABOU, MAS O MUNDO NÃO. Conforme deveria ter acontecido pela previsão (mais uma) de um maluco qualquer - a não ser que aconteça nos próximos dois dias, mas aí meu comentário não precisará ser refeito, haja vista que estaremos todos extintos.

ALIÁS, PARA ISTO TEREMOS QUE AGUARDAR DEZEMBRO DO ANO QUE VEM, quando outra profecia novamente prevê que a humanidade deixará este planeta de forma catastrófica... Mas pensando bem, será que a perda é tão grande assim? Afinal concordo com meu querido Calvin que “o sinal mais forte da existência de vida inteligente em outro planeta é que eles nunca entraram em contato com a gente”.

FELIZ ANO NOVO A TODOS E ATÉ O ANO QUE VEM!!!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

CONTO URBANO DE NATAL

ERA A MAIOR EMPRESA QUE JÁ SE OUVIRA FALAR e ela foi chamada ao superior. “Por que eu? O que eu fiz?” Não atinava a razão para falar com alguém que pouquíssimos tinham a honra de conhecer. A apreensão se justificava, pois ela era apenas uma adolescente, embora responsável e madura.

ELE NÃO A RECEBEU PESSOALMENTE, mandou alguém de sua confiança. A missão foi passada e era tão grandiosa que ela sequer pode negar ou aceitar – apenas anuiu tacitamente. Para falar a verdade achava que não tinha entendido tudo. Decidiu que faria por etapas. Afinal a parte mais difícil demoraria um pouco a chegar.

FICOU COM RECEIO DE FALAR AO COMPANHEIRO SOBRE A NOVA FUNÇÃO. “Será que vai me apoiar? Meu tempo será quase todo tomado por este trabalho.” Mas ele apoiou, pois sabia que ela aceitaria a incumbência mesmo que a abandonasse. “Ele é certamente o cara mais mente aberta destes dias.”

ESPEROU E SE PREPAROU. Três quartos de ano se passaram e conforme as instruções o grande dia chegou – mas não sem os entraves de sempre. A informação de que havia crescido aos olhos do chefe vazou e ela, que não era mais que uma menina comum, passou a ser perseguida por pessoas que mal conhecia, mas que já nutriam raiva pela importância do que estava encarregada a fazer.

TEVE QUE SE ESCONDER UM POUCO, mas sabia que não conseguiria levar a situação com a barriga por muito mais tempo. Todos ficariam sabendo, mais cedo ou mais tarde. As dúvidas ainda a afligiam. “Como vou ciceronear o filho do chefe na empresa? E por que ele precisa ser supervisionado por alguém inexperiente como eu, tendo um pai tão poderoso e onipresente?" Perguntas sem respostas, não eram as primeiras... “E benza-me Deus, não serão as ultimas.”

O MENINO CHEGOU E POR ORDEM DO PAI FOI ENCAMINHADO DIRETAMENTE A ELA. “Parece uma criança normal, gente como a gente”. E mesmo atraindo olhos inimigos ela não só acostumou-se a acompanhar o filho do chefe, como passou a amar o menino de procedência nobre. Aliás, o pai dele nunca interferiu em seu trabalho, não diretamente.

ELA MOSTRAVA O QUE SABIA DO NEGÓCIO e começou a desconfiar que seu desafio não fosse passar conhecimento técnico ou o funcionamento dos setores. “Fui designada por outro motivo, pois ele parece saber mais que eu. O que eu posso dar a quem parece ter tudo? Talvez o pai seja muito ocupado e não tenha tempo para ele. Acho que este menino precisa é de amor para conduzir seu conhecimento pelo caminho certo”. E foi o que se propôs a fazer.

MAS DEPOIS DE ALGUNS ANOS ALGO MUDOU. Ele parecia revoltado, passou a desafiar as normas da empresa, seus gerentes e supervisores. Deixou o cabelo crescer e gritava palavras de ordem. Deixou de ouvi-la, suscitava idéias inovadoras, falava coisas que ela nunca tinha ouvido, mas que pareciam ter sentido - e logo despertou a ira dos cargos mais elevados.

DEFENDIA A MERITOCRACIA e, sobretudo, falava de respeito e amor mútuos (veja só, num lugar onde a hierarquia era absolutamente rígida) e lutava pelos diretos dos outros. “Mas por quê? Não vê que desafia o poder? Por que não espera até o dia em que herdará a empresa? Por que se expõe desta maneira? Está tentando chamar a atenção do pai? E este, não vê o que está acontecendo? "A resposta era simples, o garoto não conseguia fechar os olhos à injustiça, não deixava para depois as dores dos mais fracos.

ENQUANTO SUA AFEIÇÃO PELO GAROTO SUPLANTAVA QUALQUER OBJETIVO DA MISSÃO, o pai não se manifestava. Era como se concordasse ou quisesse ver até onde iria. O menino cresceu em tamanho e importância na empresa por seus méritos. Tinha muitos seguidores e ela sabia que membros da diretoria conspiravam por sua demissão. Procurou o chefe varias vezes para falar do assunto, chegava a fazer hora em frente a sua casa, mas o pai não quis lhe ouvir. “O que posso fazer? E por que mesmo parecendo abandonado pelo pai o garoto ainda lhe nutre tanta devoção e amor?”

ENTÃO CHEGOU O DIA QUE ELA TEMIA. O pai havia chamado, teria que deixar a empresa. Ela viu nele novamente um garoto frágil e inquieto. Parecia certo em seguir o conselho do pai, mas havia tristeza em seus olhos. “Ele aprendeu a amar estas pessoas, mesmo as que não gostam dele. Não quer ir embora, mas vai por que é um grande homem eu o deixarei ir, por que ele me ensinou a ser uma grande mulher.”

E ELE FOI. Tão rápido e inexplicavelmente como quando chegou. Despediu-se dos amigos num inesquecível jantar e depois permitiu ser tripudiado pelos ignorantes e invejosos que riram por ser “um cordeirinho mandado do pai”. Os que se achavam superiores ignoravam o fato e os que o conheceram e o ouviram só conseguiram prosseguir porque as palavras do garoto tinham força infinita, além de seus significados.

PARA ELA, que havia passado anos ao seu lado, ele dedicou as duas mais belas palavras do mundo:" Obrigado, mãe!" E então ela finalmente compreendeu sua missão.

ANOS SE PASSARAM E ELA NUNCA MAIS VOLTOU A VÊ-LO. Diziam e ela acreditava que era agora o braço direito do pai. A empresa nunca mais voltou a ser a mesma depois dele, mesmo sem pôr em pratica todas as suas idéias. Todo dia 25 de dezembro ela acende uma vela, ora e deseja: “Feliz aniversário, meu filho.”

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

VISÕES DO ANO NOVO

VINICIUS DE MORAES - "Chega de ficar quebrando a cara com os velhos erros de sempre; Quero cometer erros novos; Passar por apertos diferentes; situações desconhecidas; Sair da rotina e do lugar comum. Esse ano eu preciso crescer; Chega de saber a saída e ficar parado na porta; Ensaiando os passos sem nunca entrar na estrada; Esperando que me venha o que eu mais preciso encontrar. Esse ano, se eu tiver que sofrer,será por sofrimentos reais e nunca mais por males imaginários; Preocupado com coisas que jamais acontecerão.Chega de planejar o futuro e tropeçar no presente; Chega de pensar demais e fazer de menos; Chega de pensar de um jeito e fazer de outro; Chega do corpo dizer sim e a cabeça não; Chega desses intermináveis conflitos que me fazem adiar para nunca a minha decisão."

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - “Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?) Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

MARIO QUINTANA - Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano Vive uma louca chamada Esperança E ela pensa que quando todas buzinas Todos os tambores Todos os reco-recos tocarem: - Ó delicioso vôo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança E em torno dela indagará o povo: - Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo ) Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam: - O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA …

CLARICE LISPECTOR – “Não pedi coisas demais para não confundir Deus que à meia-noite de ano novo está tão ocupado.”

FRANCISMAR LEAL – “Novo Ano... Mais um ano...Ou seria menos um?”

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

AS MASSAS AMAM O PENSAMENTO “PIREX”, aquele rasinho que dispensa o uso de muita massa cinzenta. E a vastidão ignorante urra de alegria quando um dos seus limitados soberanos divide gratuitamente e em bom som (de que outra forma?) seu atrasado intelecto ou suas ações infames.

DOIS EXEMPLARES DISTINTOS E PERFEITOS:

1 – Semana passada um tal Deputado Federal do Rio de Janeiro fez esta declaração à Presidente Dilma: “Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma”.

TUDO É DESPREZÍVEL na colocação – encharcada de preconceito - mas o pior em minha opinião é usar a tribuna do Congresso Nacional para defecar a idéia de que é impossível uma mulher ter poder sem ter características de homem e que todo homem com traços femininos tem alguma incapacidade ou desmerecimento. Esta é a concepção viciada de todo grandioso estúpido.

2 – Esta semana um “guasca” de Praia Grande, macho pra chuchu, deu uma prova de sua força e masculinidade quando vinha a cavalo pela estrada e passou em sua frente um cãozinho de rua, sentindo-se ofendido por ter que desviar sacou seu relho e bateu violentamente no animalzinho (lembre-se, o animalão está a cavalo) deixando-o para morrer na rua.

TESTEMUNHAS CHAMARAM AJUDA, mas o papai do marmanjo foi ao local defender o valentão e amarrar o cãozinho em um saco plástico. Acabou jogando-o na caçamba da caminhonete. Não sei que fim foi dado ao nosso amiguinho, prefiro saber que fim terá o desajustado emocional que usou de tanta vileza. Gentuça como esta provavelmente recebe em casa o mesmo tratamento e lições que repassa aos outros seres. Cresça meu rapaz... Sempre é tempo de ser inteligente!!!

MAS A IGNORÂNCIA É UM VÍCIO, eu sei. Porque tem o aval de muita gente que acha lindo e até divertido repetir palavras vazias, não aprofundar conhecimento, demonstrar valentia desmedida ou não desenvolver qualquer raciocínio além do que lhe chega facilmente.

ISTO PORQUE O EXTRAORDINÁRIO DEPENDE DE QUEM VÊ e conforme seu esforço pessoal. Numa mesma sala de aula, 30 alunos não absorvem o mesmo aprendizado, pois inteligência é um exercício subjetivo de visão, audição e percepção que nos leva além do óbvio, cercados por questionamentos atrevidos ou nunca antes feitos... dá trabalho.

HÁ ALGO MAIS IRRITANTE do que ouvir “foi sempre assim”... Ah, se não fosse por alguns corajosos que doaram suas cabeças (literalmente em alguns casos) pelo avanço intelectual, científico, emocional e cultural...

MAS A IGNORÂNCIA É A CAMA CONFORTÁVEL DOS INSEGUROS. Lá deitam-se e deleitam-se com suas repugnantes, retrógradas, cruéis e levianas constatações. Difícil é viver no vão escuro e incerto das quebras de preconceitos, das perguntas impertinentes e das ações e conclusões inovadoras.

NAS CIVILIZAÇÕES ANTIGAS os pensadores tinham locais próprios para cientistas, literatos, políticos e mestres trocar conhecimento, argumentações, elucubrações e proporcionar o avanço da humanidade (Que saudade de Platão e sua dialética socrática).

HOJE JÁ NÃO HÁ MAIS ESTES LUGARES ESPECÍFICOS e infelizmente ainda temos escolas e universidades restritas a um cotidiano fechado e lúgubre que não incentiva a perspicácia, a libertação de paradigmas e a criação; instituições religiosas preconceituosas e reacionárias; e Câmaras, Assembléias e Senado deixando de ouvir os bons, os inovadores, para ouvir o burburinho sonoro da ignorância - por isso ainda nos deparamos com demonstrações grotescas não condizentes com a racionalidade humana.

A VERDADE É QUE OS GRANDES NÃO NASCEM DESTES LUGARES, VÊM PREPARADOS DE CASA. E poucos vencem as limitações que lhe são impostas.

E PARA TERMINAR... Denuncie crimes de violência contra os animais, a denúncia pode ser feita anonimamente.