quinta-feira, 16 de agosto de 2012


UMA BOA IDÉIA É INÚTIL SE GUARDADA. E inócua ou temerária se mal expressada. Isto serve para qualquer área da nossa vida, inclusive nos relacionamentos pessoais. Mas tratei a reflexão para a política (ah, que surpresa Karem!).
O FATO É QUE EXISTEM CANDIDATOS BRILHANTES que mal conseguem balbuciar seus projetos e candidatos “pirex” – aqueles bem rasinhos – que envolvem o ouvinte sem dizer coisa alguma. Como isso acontece?
BEM, O SER HUMANO TOMA DECISÕES em uma parte do cérebro que não está ligada à lógica, e sim ao sentimento, a emoção. O bom orador é aquele trás para si o público, que divide com ele as emoções das palavras e que o faz muitas vezes imaginar as cenas proferidas – independente da importância ou veracidade do que diz.
ESTUDOS RECENTES MOSTRAM QUE O ELEITOR assimila uma mensagem 7% pela palavra, ou seja, pelo conteúdo do discurso, 38% pelo tom de voz e 55% pela fisiologia do orador, ou seja, pela forma com que passa seu conteúdo – sua capacidade de falar com todo o corpo, de usar a linguagem não verbal.
EM MEUS CURSOS DE ORATÓRIA, COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO as pessoas perguntam onde encontrar a desenvoltura para falar em público. Sempre digo que a base está na segurança do que está se falando. Ou seja, o orador tem que dominar o assunto para resultar na naturalidade da improvisação. Nada deve ser decorado. O segundo passo é treinar, treinar e treinar... E depois treinar mais um pouquinho.
HÁ MUITOS EXERCÍCIOS que auxiliam neste sentido, mas nada é mais eficaz do que falar com o coração e a consciência. (principalmente quando esta ultima está bem limpinha)
PARA O ELEITOR A MISSÃO É OUTRA e tão difícil quanto para o candidato. Do lado de cá do discurso devemos identificar não só o melhor, mas o verdadeiro – e é aí que as coisas complicam. Vejo os falastrões usando estratégias em conteúdos vazios de veracidade. Ouço frases prontas nascidas de resultados planejados, mas que nada significam para quem diz.
O PROBLEMA É QUE QUEM FALA A VERDADE, saída do coração e da certeza na crença daquelas palavras infelizmente pouco se diferencia do bom mentiroso e enganador, pois ele repete exatamente o que o honesto diz e faz – é uma cópia só na casca.
PORÉM TEMOS UMA FORMA (única) de diferenciar o verdadeiro do falso: a história de cada um, o passado deles. Isto é inimitável e o eleitor deve considerar este principio tão ou mais importante que palavras e imagens mostradas na campanha eleitoral.
FAUSTO E ROMEU JÁ DELIRAVAM e eu (quem sou eu?) afirmo: UM NOME É TUDO. Quem tem, tem. Pense sobre isso, investigue quem são os candidatos de seu município, ouça vários lados e duvide um pouquinho de todos, procure de alguma maneira ter contato direto com os candidatos, mesmo que nos comícios. Saiba de onde ele veio e como foi parar ali.
PARA VEREADOR NÃO SE ESQUEÇA de considerar aquele que está mais próximo de ti e de sua família, seja geográfica, seja setorialmente. O vereador deve ter algo forte em comum com o eleitor. Este é um bom começo para escolher quem vai representá-lo na Câmara.
E PARA TERMINAR... Não esqueça que apoiadores de campanha nem sempre são amigos e só os verdadeiros amigos do candidato podem dar uma idéia de quem ele é.

terça-feira, 7 de agosto de 2012


TENHO CITADO NOS CURSOS QUE SOU MINISTRANTE de Planejamento Estratégico de Campanha e Preparação do Discurso, as quatro imagens criadas por Roger-gerad Schwartzenberg no livro “O estado espetáculo”, que baseia-se em três áreas nas quais trabalho e estudo: o teatro, a política e a comunicação.

O LIVRO DE 1977 traz como idéia central o Estado como um “produtor” de espetáculos e a política a sua encenação. Neste contexto a figura do político enquadra-se na função do ator/personagem.

SUA TEORIA APRESENTA QUATRO PAPÉIS PRINCIPAIS que instintivamente ou não, os candidatos encarnam na campanha eleitoral e implantam em suas administrações. Coincidentemente é possível associá-los a alguns presidentes brasileiros pós-abertura democrática, veja só:

O PRIMEIRO DELES É O HERÓI, aquele que vai resolver todos os problemas, que é fora do comum, forte, providencial, quase um o ídolo. Aqui não é difícil enquadrar Tancredo Neves e o Supercaçadordemarajás, Fernando Collor de Mello.

O SEGUNDO DELES É A MÃE OU O PAI DA PÁTRIA. Aquele que abraça todos seus filhos, independente de suas características e defeitos, sem preconceitos. Fala e defende todos igualmente, sendo duro e amável ao mesmo tempo. É o melhor personagem para comandar tempos ou circunstâncias adversas. Ninguém melhor neste personagem que a Presidente Dilma Roussef.

O TERCEIRO PAPEL É O DO LÍDER CHARMOSO aquele que através de seu charme conquista votos. Ele um gentleman, elegante e galante, que convence pela sedução, não por argumentos. É o próprio Fernando Henrique Cardoso – embora Collor também vestisse este figurino.

E POR FIM O COMMON MAN OU O HOMEM SIMPLES, “aquele que emerge das massas para comandá-las”, para representá-las. Precisa identificar em nossa história quem é? Claro, Lula.

ALGUNS CANDIDATOS/POLÍTICOS agregam mais de um destes personagens – o que dificulta a manutenção do papel. Mas é possível identificar entre os candidatos de seu município quem exerce cada um destes papeis? É um exercício interessante para fazer.

O AUTOR FAZ AINDA A REFLEXÃO de que “A política, outrora, era de idéias. Hoje, é (sic) pessoas. Ou melhor, personagens”. Mas eu discordo. Poucas partes da história humana foram conduzidas politicamente por idéias, o que justifica tão poucos bons exemplos. O poder político sempre esteve de mãos dadas com o espetáculo ou grandes personagens, objetivando maquiar a falta ou as más intenções de suas ideologias.

ANTES DE A POLÍTICA EXISTIR, por volta de 500 anos a.C. a Grécia já utilizava do espetáculo cênico para associar seu poder político e as pirâmides do Egito o materializaram descomunalmente. De lá pra cá as civilizações só se adaptaram às suas capacidades de espetacularização.

POR ISSO É IMPRESCINDÍVEL contemporanizar a teoria e perceber que em uma atualidade estruturada em rede e ambientada pela mídia é impossível não usar o recurso da emoção, da sensibilização, e por fim da encenação, seus rituais e espetáculos. Mesmo quando baseados em boas intenções.

A PRÓPRIA COMUNICAÇÃO em suas diversas áreas quando não trabalha produzindo espetáculo político implora para que alguém o produza. Penso que o pior do espetáculo político é o que os meios de comunicação produzem: a leviandade de DISCUTIR OS POLÍTICOS, AO INVÉS DE DISCUTIR POLÍTICA. Nada é mais contraproducente a um povo do que a mídia valorizar mais as pessoas do que as idéias.

POLÍTICA É MUITO MAIS DO QUE MAUS EXEMPLOS PESSOAIS. O primeiro é uma forma de promover a organização e harmonia social, o segundo é apenas fofoca.







sábado, 4 de agosto de 2012


SENTADA ONTEM EM UM LOCAL PÚBLICO ouvi a conversa de duas mulheres atrás de mim. Pelo tom de voz não faziam questão de esconder o conteúdo do diálogo. De repente uma delas disse com muito orgulho. “Fulano foi me pedir o voto lá na loja, mas eu voto em quem o André (namorado ou marido) manda”. Antes do meu enfarte espiritual ainda ouvi a outra completar: “Ah, eu pego a primeira colinha que me dão!!!

QUIS PEDIR DEMISSÃO do meu auto-intitulado posto de conscientizadora política. É um passo à frente e 10 para trás. É chocante, deprimente.

MESMO ALGUÉM FÚTIL deveria saber que o preço do esmalte gliter depende de decisões políticas – ainda mais quando é importado. Mesmo alguém com pouca condição financeira deveria saber que o valor do ticket do ônibus, entre outras coisas, dependem do encaminhamento político. Mesmo alguém sem acesso à informação deveria saber que os meios de comunicação são igualmente geridos por decisões políticas. Como alguém pode viver tão alheio a questões de suma importância?

NEM ESTOU FALANDO DE MILITÂNCIA, ou partidarismo. Estou falando do nosso direito individual e intransferível de escolher quem julgamos ser melhor para nos representar no executivo e no legislativo.

A MOCINHA DA HISTÓRIA sequer sonha que a loja dela só a mantém trabalhando por decisões que passam pela sua própria decisão política. Fico ainda mais apreensiva em pensar que o tal “André” não deve colaborar em muita coisa, pois se fosse minimamente consciente já teria conversado com a companheira sobre liberdade, inteligência e opinião pessoal. Aff!!!

NÃO É QUESTÃO DE GOSTO, temos que entender e pronto. Política é igual a algumas leis básicas de convivência social, gostando ou não todo mundo conhece... E as cumprem na maioria esmagadora das vezes. Quantas outras coisas temos que entender pelo menos o básico para garantir uma convivência harmoniosa e próspera?

EM UM CURSO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO (beijo, meninas!) na semana passada ouvi uma pergunta bastante pertinente de uma participante: “O que respondo quando alguém me diz que sou louca em ser candidata a vereadora, que política é coisa suja?”

RESPONDA: “Louca é você em não incentivar a participação de pessoas sérias para ocupar cargos tão importantes. Onde você espera chegar com sua propaganda negativa? Como vamos “limpar” o setor com este tipo de postura?”

IMAGINE SE COMEÇÁSSEMOS a evidenciar o lado negativo de qualquer posição, digamos dos médicos. Se uma grande massa comesse a repetir aos quatro cantos que todo médico é um dinheirista, que só pensa em sua conta bancária, que não cumpre os horários, que ganha propina para repassar certos tipos de medicamentos, que alguns se aproveitam da função para abusar de clientes, etc, etc, etc?

QUEM PODERIA QUERER SER MÉDICO A PARTIR DE ENTÃO? Só os “loucos” que se importassem acima de tudo com a saúde das pessoas, e os cretinos que não se importassem com a opinião de um público de raciocínio tão raso e leviano – e estes seriam a maioria, pode apostar.

NÃO É OBVIO O RACIOCÍNIO? Tudo bem, mesmo que ainda não seja não vou desistir de propagar meus ideais, até o dia em que todos os moinhos respondam ou discutam à altura.

E PARA TERMINAR... “Trabalhe como um adulto e acredite como uma criança”. KS