OS
MAIS DE DEZ VÍDEOS FEITOS POR UM CABO ELEITORAL EM PRAIA GRANDE mostram
claramente compra de votos. O escândalo envolve também alguns funcionários da CEPRAG que deverão passar por processo
administrativo e possível demissão. Há quatro anos Passo de Torres, Maracajá e
Timbé do Sul os eleitos perderam o mandato por bem menos.
ESTES
SÃO OS FATOS. Como jornalista, não posso omitir o assunto
do momento. Até porque sou comentarista política.
MAS
TENHO UM FORTE ENVOLVIMENTO com Praia Grande, com a política e com
minha eterna luta pelo voto consciente. Este assunto, portanto, atinge mais
profundamente meus sentimentos e minhas convicções. Meus pais tiveram forte
atuação política e embora eu adorasse segui-los e ouvi-los nunca me filiei a
qualquer partido, nem nunca tive meu voto “cabresteado”. Desde muito jovem formei
minhas ideologias. Fui incentivada a pensar, discutir, concluir e defender
minhas idéias.
TIVE
MUITOS BONS “EMBATES’ COM MEU PAI. Conversas de horas e horas
onde ele me conduzia às minhas próprias convicções. Mas de todas as coisas que
aprendi politicamente com ele a mais forte foi no dia em que eu (novamente) criticava
o seu partido a forma como se fazia política
no Brasil. Então ele me disse:
- Se tu estás vendo as
coisas erradas e se achas que tens a solução, então a política precisa de ti.
Faça alguma coisa.
FUI
DORMIR TONTA COM A “TIJOLADA” SUTIL. Algumas semanas depois meu
pai e minha mãe foram vítimas de um acidente. Como em todos os outros assuntos,
nossas conversas sobre política viraram um monólogo onde eu tentava pensar o
que ele me diria, qual seria sua opinião.
FUI
PARA LONDRES, talvez fugindo da dor, mas buscando
respostas sobre o que faria sem meu chão, sem meus mestres, sem meu colo. Lá
descobri que a única coisa que preencheria minha alma seria trabalhar pelas
pessoas, isto ajudaria a mim mesma. Pensei em que instituições poderia me
inscrever, que tipo de ajuda ou causa e então... lembrei de Praia Grande,
lembrei de meus irmãos de chão. Lembrei que a gente deve começar a mudar o mundo
por si mesmo e depois por quem está ao nosso redor. Por que trabalhar em outro
país, outro continente, outra cidade, se a minha também estava órfã de cuidados?
Voltei ao Brasil, voltei pra minha casa, meu ninho.
EM
PRINCIPIO não tinha nenhuma intenção de filiar-me a partido
político ou concorrer a cargos eletivos. Fui trabalhar, desenvolver projetos,
ajudar a mudar meu mundo. Foram coisas simples, mas que trouxeram retorno
imediato.
O
PARTIDO DE MEU PAI vivia um momento decadente no município.
Quando decidi me filiar, não pensei na sigla, nem no número, pensei que podia
fazer política de acordo com minhas crenças, que podia expandir o conhecimento
e atingir muitas pessoas por meio de algo que acredito ser uma forma
maravilhosa de organizar vidas em sociedade: a política.
CLARO
QUE NOVAS ATITUDES e novas visões encontram resistência. Mas
para minha surpresa havia um grupo que entendia o que eu falava. Resumindo, não
só me filiei ao partido, como me elegi presidente e fui candidata a prefeita,
tudo em um ano e meio. E faltaram 55 votos para eu me eleger.
TUDO
ISTO ESTOU CONTANDO para dizer que chorei, xinguei, sofri,
refleti, sorri e por fim lembrei que fiz o que tinha vindo fazer: plantar uma
semente. De que É POSSÍVEL SIM fazer uma campanha sem comprar votos, sem
negociar apoio, sem gastar nada alem da estrutura e serviços... Baseada em
respeito e consciência, em tudo que acredito ser correto. Por isso vou falar e
agir em política o resto da minha vida.
POR
ISSO, NÃO POSSO ACEITAR “que as coisas são assim”, que
“política é suja”, que “político não presta”. Não aceito, porque sei que pode
ser diferente e que o resultado trará satisfação a todos, não a um grupo que se
acha vencedor. A pessoa certa em
política pra mim não é a que pensa como eu, é a que tem base para pensar por si
e que acima de tudo tem um compromisso com o crescimento e a felicidade
coletiva.
E
PARA TERMINAR... “Só haverá chance para a honestidade
enquanto os corretos não se curvarem aos dissolutos”. KS
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