segunda-feira, 23 de março de 2009

MULHERES NA POLÍTICA

Na Suécia

conta-se uma história digna de ser lembrada. Uma criança, 8 anos de idade, pergunta: - Mãe, aqui na Suécia, os homens podem ser políticos? Observando o grande envolvimento das mulheres com a política, diante de uma representação política quase equilibrada, lá, como nos demais países nórdicos, a pergunta expressa uma realidade incomum à nossa realidade brasileira e outros tantos países!

Após mais de cem anos da conquista do direito do voto, as mulheres brasileiras são minorias em qualquer nível da representação política formal, seja nos municípios, nos estados federados ou no centro da política nacional.

 

A eleição

de Michelle Bachelet para presidente do Chile, país mais desenvolvido e conservador da América do Sul; de Ellen Johnson-Sirleaf  para Presidente da Libéria, primeira eleita no Continente Áfricano; Ângela Merkel como chanceler Alemã, primeira mulher a ocupar o cargo na história do país que tem o 3° maior PIB e o grande destaque de Condoleezza Rice e Hillary Clinton, ex e atual Secretárias de Estado dos EUA - representam um grande avanço na quebra de paradigmas políticos em paises de grande diversidade cultural e  econômica.

Porem, mesmo diante de tais fatos e levando-se em conta o maior acesso à educação ou maior presença nos Parlamentos, atualmente a pobreza aumentou para nosso gênero - sete em cada dez pobres no mundo são mulheres e a Aids progride impetuosamente entre a população feminina.

 

No Brasil

as mulheres constituem a maioria do público consumidor da televisão (53%), do rádio (53%) e de revistas (55%). Representamos 49% dentre os leitores de jornais. As mulheres brasileiras têm, portanto, papel estratégico na definição dos conteúdos oferecidos pelos meios de comunicação. Se por um lado, as mulheres jornalistas brasileiras também estão ganhando espaço e mais visibilidade como colunistas políticas influentes e apresentadoras, "âncoras" em programas de notícias; por outro, ainda precisamos avançar para que as questões de gênero sejam incluídas nas pautas de nossos noticiários.

Temos um eleitorado capaz de nos igualar em representação, mas não é em cima deste argumento que devemos conquistar nosso espaço.

 

É hora

de mostrar que sabemos discutir economia, tratados de livre comércio, projetos de infra-estrutura, relações internacionais e outros temas, pois hoje estamos tão preparadas quanto os homens para tarefas das mais simples às mais complexas.

 

Em 2010

teremos mais uma eleição e os partido políticos iniciam a procura por mulheres que entendam e saibam fazer política, mas infelizmente não para coloca-las como candidatas “efetivas”, e sim como cabos eleitorais ou para preencher cotas obrigatórias. Isto acontece por aceitarmos esta condição limitada.

Proponho portanto, a análise seguida de nossa efetiva participação neste setor, lembrando-se sempre de que esta é sobretudo uma luta pela democratização do país.

 

segunda-feira, 16 de março de 2009

ENTREVISTA SANDRO MACIEL

Era dia 11 quando fiz esta entrevista, porém meu entrevistado da semana é fervorosamente do “13” – o que me faz lembrar a coincidência de que SANDRO MACIEL é Vice-Prefeito de Araranguá numa aliança entre PT e PP. Aliás, tudo na vida deste jovem batalhador, como ele mesmo gosta de ser denominado, parece encaixar-se perfeitamente num círculo de coincidências que envolve relacionamentos, fatos e envolvimentos. Sua participação ativa na Igreja aproximou-o de sua esposa, de seu sócio e da política. Tudo se formando numa cadeia de acontecimentos que fizeram com que este advogado trabalhista de renome que quase foi padre, ajudasse desde cedo no sustento de sua humilde família, fundasse seu partido no município e criasse seu próprio núcleo familiar embasado em muito amor e parceira. Em seu escritório tivemos esta agradável conversa:

Karem Suyan – Estas muito ocupado ultimamente? Sandro Maciel – Acabei de vir de uma reunião na Biblioteca. Firmamos um convênio com o ICADIS, para um trabalho de inclusão digital. Uma parte do projeto já esta funcionando no antigo CONSEG no Mato Alto, com aulas gratuitas de informática e a segunda parte iniciará nesta segunda-feira na Biblioteca (na Praça XV de Novembro) no que nós chamamos de “Núcleo da Cidadania”, que contará com 5 computadores com internet grátis para atender o público até as 21:30h. O projeto está sendo comandado por mim com todo apoio do Prefeito. É o inicio da revitalização da Praça, que também inclui o calçadão.

Karem Suyan – Como está a relação com o Prefeito Mariano Mazzuco? Sandro Maciel – Muito boa. Sempre foi, mesmo quando éramos adversários políticos. 

Karem Suyan – O que provocou a aproximação? Sandro Maciel – Muita coisa: o segundo turno das eleições em 2006, a participação do PP no Governo Federal e o distanciamento entre PT e PMDB em Araranguá. Alem disso, no primeiro mandato o Prefeito Mariano deu ouvidas as entidades comunitárias e isto nos aproximou ainda mais. 

Karem Suyan – Como tu entraste para o PT? Sandro Maciel – Eu participava da Pastoral da Juventude em 1979 e em 1980 foi a fundação do PT no país com uma participação da Igreja Católica. Eu tinha 14 anos e tudo isso me influenciou, foi meu grupo de jovens que fundou o PT em Araranguá em janeiro de 1984.

Karem Suyan – Tu ainda participas da igreja? Sandro Maciel – Fui professor de ensino religioso, catequista e militante das pastorais, mas infelizmente hoje não tenho muito tempo para me dedicar a igreja, mas ela continua importante em minha vida.

Karem Suyan – Que passagem ou personagem bíblico tu mais aprecias? Sandro Maciel – Poderia destacar duas: a multiplicação dos pães e a historia dos primeiros cristãos que se organizavam em comunidade e viviam numa espécie de pré-socialismo, dividindo tudo por igual. São duas passagens que aliam o aspecto religioso ao social e que me fizeram refletir. Posso dizer que se eu não tivesse o envolvimento religioso, não teria tido o envolvimento político e hoje não seria vice-prefeito.

Karem Suyan – Como foi o teu envolvimento com o Direito? Sandro Maciel – Eu trabalhava no comercio e participei da fundação do Sindicato Comercial em 1989, posteriormente sai da empresa onde trabalhava e assumi a presidência do Sindicato. Foi ali que tive muito contato com direito trabalhista e sindical, o que me levou a ser da primeira turma de Direito da Unisul de Araranguá em 1992. Até por que, depois de ser do Sindicato a gente não consegue mais emprego na cidade (sorrisos amarelos pela triste ironia). Em 1998, iniciei minha carreira de advogado e hoje somos referencia em direito trabalhista (Seu sócio Herval Casagrande é também Presidente do PT e amigo de infância).

Karem Suyan – Tu gostarias de ser Prefeito de Araranguá? Sandro Maciel – Dificilmente um cidadão não gostaria de ser prefeito de seu município. Sendo Vice-Prefeito posso sentir a importância de poder melhorar diretamente a vida das pessoas. Seria uma realização pessoal e também para o PT. A gente tem que ver a conjuntura futura, mas em princípio há uma grande possibilidade de eu ser candidato a Prefeito em 2012.

Karem Suyan – E como o PT está se organizando para a candidatura de Deputado Estadual da região? Sandro Maciel – Nós vamos trabalhar para ter um nome. As lideranças do PT apontam também o meu nome, por que agrega votos em todo Vale, mas nós ainda temos que estudar isto.

Karem Suyan – Que livro estás lendo e qual te marcou? Sandro Maciel – Hoje estou lendo “Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal”, de Allan e Barbara Pease. E me marcou “Se me deixam falar”, de Moema L Viezzer.

Karem Suyan – Qual CD está no som do teu carro? Sandro Maciel – Teodoro e Sampaio. (risos) Mas eu adoro pagode, dos antigos.

Karem Suyan – Sonho que já realizou? Sandro Maciel – Filhos, faculdade.

Karem Suyan – E um que ainda não realizou? Sandro Maciel – (risos, silêncio e com muita relutância respondeu:) Viajar para o exterior.

Karem Suyan – Sei....(risos).Tem algo importante que não falamos? Sandro Maciel – Minha companheira Rose. Nós nos conhecíamos da Igreja, mas em 1985, numa reunião do PT eu fiz a filiação dela. Em 1986 começamos a namorar e estamos juntos até hoje. Ela é parte essencial da minha vida, tudo que eu faço ou deixo de fazer, passa por ela. Minha família toda é muito importante. Obs: “Se me deixam falar” fala de uma sociedade justa, pacífica e solidária em defesa da natureza e pela redução do consumo predatório. “Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal” explica o significado de gestos que usamos no dia-a-dia e ensina a melhorar os relacionamentos e aumentar a capacidade de comunicação.


segunda-feira, 9 de março de 2009

TRIBUTO A MICHELANGELO


Michelangelo que a humanidade conhece deixou sua marca por onde passou. Um grande pintor e escultor, poeta e arquiteto, um homem das artes. O Michelangelo que eu conheci também amava a arte da imagem e igualmente deixou marcas.

 

O Michelangelo pintor nasceu em 6 de março de 1475, o que eu conheci nos deixou dia 3 de março de 2009.

 

Michelangelo, o italiano, nasceu na pequena cidade de Caprese, o nosso Michelangelo nasceu em Praia Grande e foi meu contemporâneo de infância e juventude.

 

O primeiro morreu aos 89 anos e o segundo teve sua vida ceifada violentamente ainda jovem.

 

O nome de um foi homenagem a outro.

 

As coincidências encerram por aí. Porém, o que desejo refletir é a relevância que todo ser humano tem equivalente a importância do que acrescenta em nossas vidas. Pouco importa se um é mundialmente famoso e outro somente um grande amigo - essencialmente Michelangelo Ronsani, meu amigo praiagrandense, é importante no mundo de quem o conheceu e deixa lembranças tão marcantes nestas pessoas, quanto o teto da Capela Cistina para os apreciadores da arte.

 

Um assalto, dois tiros e vidas alteradas para sempre. A sutileza da vida repousa no acaso do dia a dia e mesmo assim sonhamos ser imortais e nunca sabemos o que sentir ou fazer quando perdemos alguém que amamos. Mesmo que isso se repita e seja condição para todos que estão vivos.

 

Por isso, dedico minha coluna de hoje ao meu grande e eterno amigo Michel, por que nada mais me resta fazer para celebrar a vida deste homem responsável e menino gentil, senão estas palavras – ínfimas perto de sua grandeza.

 

Uma parte de nós se foi contigo, meu amigo. Uma parte do passado que não tem mais futuro. Porem...ah, como é compensadora a vida das boas pessoas... por que jamais se extingue.



Queria eu ter o poder de tocar a mão de Deus, tal qual a “Criação de Adão” na pintura de Michelangelo e trazer de volta tua presença física para acalmar o sentimento de vazio que ficou.  Porém este sentimento egoísta está muito aquém do que o Mistério que criação nos reserva ao extrair alguém de nossa convivência.

 

Fique em paz e deixe paz nos corações já inundados de saudade e doloridos pelo silêncio das perguntas não respondidas.

 

Leve amor e deixe a lembrança de dias felizes.

terça-feira, 3 de março de 2009








Sinto algo inesperado. Um desassossego no coração que insiste em lembrar somente que ele é um ídolo pessoal e não um amigo e conterrâneo (de Praia Grande). Chego a seu apartamento no centro de Ararangua e sou recebida com carinho por sua esposa Katia e quatro gatos persa e Himalaia - o mais velho deles, “Shine”, que geralmente foge de estranhos me aceita e interage com minha presença. Já me sinto mais tranqüila.

Dizem que a gente se parece com nossos animais de estimação e TADEU SANTOS se assemelha aos felinos por ser observador, penetrante em seu olhar, independente nas suas opiniões, taciturno sem ser melancólico e com pensamentos dificilmente decifráveis. Este cinéfilo, ambientalista, escritor, político apartidário, técnico em edificações, que tem como amor maior sua companheira Kátia e seus dois filhos é um contestador sensível. Alguém que se inspira com a lua e se maravilha com o que o sol representa, que ama a natureza e não acredita em Deus e que por tudo isso tem muito a dizer. Então, sentados na sacada iniciamos esta agradável entrevista:

Karem – Tu nasceste em Praia Grande, quais tuas recordações de lá?

Tadeu – Sempre lembro da minha convivência intensa com o Rio Mampituba. Depois a igreja católica esteve muito presente na nossa vida, embora eles não tenham me convencido, pois eu sempre contestava os Freis, eles ficavam bravos e falavam na missa pra todo mundo saber (risos). Praia Grande também é o Itaimbezinho, o Aparados da Serra, é minha juventude de muitos bailes e brigas. Nos anos 70 a gente tocava Beatles e Elvis na praça e todo mundo achava uma loucura.

Karem - Tua marca em Praia Grande está até hoje na Praça São Sebastião.

Tadeu – Esta foi outra fase, eu estava formado em edificações e já tinha experiência com a Prefeitura de Florianópolis, foi nesta época que teu pai (Ex-Prefeito Ari P. Borges), me chamou para projetar a Praça.

Florianópolis, foi nesta época que teu pai (Ex-Prefeito Ari P. Borges), me chamou para projetar a Praça.

Karem – Sempre foste contestador?

Tadeu – Não, não. Mas fui presidente do Grêmio Estudantil na escola técnica de Torres e cheguei a presidir um congresso da UNE, na efervescência da ditadura militar de 66.

Karem - Nossa, que coragem...

Tadeu - Eu não entendia patavina nenhuma... (risos)

Karem – O cinema tem grande importância na tua vida. Qual o filme mais marcante?

Tadeu – Minha ética, minha moral, minha formação, minha paixão, tudo tem como referencia a sétima arte. O melhor filme, pra mim é cidadão Kane, do Orson Welles.

Karem – Qual o livro que estás lendo hoje e os que influenciaram sua vida?

Tadeu – Hoje estou lendo “Colapso”, de Jared Diamond. “O capital” de Karl Marx eu li duas vezes e não entendi patavinas...(risos) mas ele influenciou o nome do meu filho Marx e mudou pra sempre minha forma de ver o dinheiro e os bens materiais, ate hoje não tenho apego algum por isto. Além disso, me tornei ateu lendo as teorias marxistas. Não acredito em nada que não seja matéria. Mas às vezes, quando vejo toda grandeza do universo, sua engrenagem perfeita, nosso corpo e seu funcionamento e a sincronia de tudo isso fico duvidando se deus realmente não existe.

Karem– Hoje teu nome faz parte do CONAMA, o que isso representa? E como foi a escolha?

Tadeu – CONAMA é o Conselho Nacional de Meio Ambiente, o mais alto conselho da República no setor ambiental, mas com grande influência em todos os outros setores. Ele tem uma composição bem eclética e nós ocupamos 1 das 11 vagas da bancada ambientalista. O CONAMA é responsável por resoluções para licenciamento ambiental, EIA/RIMA, medidas compensatórias e várias resoluções que interferem de forma positiva no nosso dia a dia, protegendo o meio ambiente em busca de conforto, saúde e qualidade de vida para o cidadão. Existe uma eleição a cada dois anos, onde cada uma das cinco regiões do país escolhe dois representantes. Em dezembro a ONG SÓCIOS DA NATUREZA obteve a quarta maior votação do Brasil.

Karem – O que significa uma ONG de Araranguá fazer parte do CONAMA?

Tadeu – O maior beneficiário é o Estado de Santa Catarina como um todo. Nosso trabalho não é para suprir a demanda local, evidentemente que com a dinâmica dos trabalhos poderemos dar relevância a nível nacional sobre a realidade da região.

Karem – E qual é esta realidade?

Tadeu – Hoje se fala muito na Amazônia, porem não foram as queimadas lá que nos colocaram frente ao aquecimento global, foi o uso de combustíveis fosseis. Mas parece que a queima de carvão tem uma insignificância ambiental.

Karem – A produção de carvão da região compromete tanto assim nosso meio ambiente?

Tadeu – Sim. A Jorge Lacerda é a maior usina termelétrica da America Latina e está a poucos quilômetros da gente. O mundo inteiro está dizendo que não se deve mais queimar carvão, apontando energias renováveis como alternativa (eólica, solar ou de bicombustíveis). Enquanto os gaúchos usam a energia eólica, aqui querem fazer uma usina em Treviso, bem na reta dos Aparados da Serra. Não há necessidade de ser assim. 

Karem – Fale sobre uma realização futura.

Tadeu – Eu escrevo sobre o que vejo. Quero lançar um livro com a coletânea de meus textos, que serão organizados historicamente pela Juliana (filha).

Karem – Como tu gostarias de ser visto?

Tadeu - Como um cidadão preocupado com minha sobrevivência e com o meio ambiente onde eu vivo, o que me torna menos egoísta por pensar no coletivo. E é isso que eu tenho feito nos últimos anos.


 

Em seu escritório milhares de livros, fitas e dvd´s contem o maior acervo de imagens da região, que depois de catalogado e editado será de suprema importância histórica para todos.

Ao lado do computador há uma frase em destaque: “NADA SERÁ LEGITIMAMENTE TEU, ENQUANTO A OUTREM FALTAR O NECESSÁRIO – Marat, Revolução Francesa” .

 

Obs: O livro “COLAPSO” mostra o que acontece quando desperdiçamos nossos recursos, ignoramos os sinais de nosso meio ambiente, nos reproduzimos rápido demais ou cortamos árvores em excesso e propõe o que fazer para evitar a destruição do mundo.