sábado, 4 de agosto de 2012


SENTADA ONTEM EM UM LOCAL PÚBLICO ouvi a conversa de duas mulheres atrás de mim. Pelo tom de voz não faziam questão de esconder o conteúdo do diálogo. De repente uma delas disse com muito orgulho. “Fulano foi me pedir o voto lá na loja, mas eu voto em quem o André (namorado ou marido) manda”. Antes do meu enfarte espiritual ainda ouvi a outra completar: “Ah, eu pego a primeira colinha que me dão!!!

QUIS PEDIR DEMISSÃO do meu auto-intitulado posto de conscientizadora política. É um passo à frente e 10 para trás. É chocante, deprimente.

MESMO ALGUÉM FÚTIL deveria saber que o preço do esmalte gliter depende de decisões políticas – ainda mais quando é importado. Mesmo alguém com pouca condição financeira deveria saber que o valor do ticket do ônibus, entre outras coisas, dependem do encaminhamento político. Mesmo alguém sem acesso à informação deveria saber que os meios de comunicação são igualmente geridos por decisões políticas. Como alguém pode viver tão alheio a questões de suma importância?

NEM ESTOU FALANDO DE MILITÂNCIA, ou partidarismo. Estou falando do nosso direito individual e intransferível de escolher quem julgamos ser melhor para nos representar no executivo e no legislativo.

A MOCINHA DA HISTÓRIA sequer sonha que a loja dela só a mantém trabalhando por decisões que passam pela sua própria decisão política. Fico ainda mais apreensiva em pensar que o tal “André” não deve colaborar em muita coisa, pois se fosse minimamente consciente já teria conversado com a companheira sobre liberdade, inteligência e opinião pessoal. Aff!!!

NÃO É QUESTÃO DE GOSTO, temos que entender e pronto. Política é igual a algumas leis básicas de convivência social, gostando ou não todo mundo conhece... E as cumprem na maioria esmagadora das vezes. Quantas outras coisas temos que entender pelo menos o básico para garantir uma convivência harmoniosa e próspera?

EM UM CURSO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO (beijo, meninas!) na semana passada ouvi uma pergunta bastante pertinente de uma participante: “O que respondo quando alguém me diz que sou louca em ser candidata a vereadora, que política é coisa suja?”

RESPONDA: “Louca é você em não incentivar a participação de pessoas sérias para ocupar cargos tão importantes. Onde você espera chegar com sua propaganda negativa? Como vamos “limpar” o setor com este tipo de postura?”

IMAGINE SE COMEÇÁSSEMOS a evidenciar o lado negativo de qualquer posição, digamos dos médicos. Se uma grande massa comesse a repetir aos quatro cantos que todo médico é um dinheirista, que só pensa em sua conta bancária, que não cumpre os horários, que ganha propina para repassar certos tipos de medicamentos, que alguns se aproveitam da função para abusar de clientes, etc, etc, etc?

QUEM PODERIA QUERER SER MÉDICO A PARTIR DE ENTÃO? Só os “loucos” que se importassem acima de tudo com a saúde das pessoas, e os cretinos que não se importassem com a opinião de um público de raciocínio tão raso e leviano – e estes seriam a maioria, pode apostar.

NÃO É OBVIO O RACIOCÍNIO? Tudo bem, mesmo que ainda não seja não vou desistir de propagar meus ideais, até o dia em que todos os moinhos respondam ou discutam à altura.

E PARA TERMINAR... “Trabalhe como um adulto e acredite como uma criança”. KS

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