SENTADA
ONTEM EM UM LOCAL PÚBLICO ouvi a conversa de duas mulheres atrás
de mim. Pelo tom de voz não faziam questão de esconder o conteúdo do diálogo.
De repente uma delas disse com muito orgulho. “Fulano foi me pedir o voto lá na loja, mas eu voto em quem o André
(namorado ou marido) manda”. Antes do meu enfarte espiritual ainda ouvi a
outra completar: “Ah, eu pego a primeira
colinha que me dão!!!”
QUIS
PEDIR DEMISSÃO do meu auto-intitulado posto de
conscientizadora política. É um passo à frente e 10 para trás. É chocante,
deprimente.
MESMO
ALGUÉM FÚTIL deveria saber que o preço do esmalte gliter depende de decisões políticas –
ainda mais quando é importado. Mesmo alguém com pouca condição financeira
deveria saber que o valor do ticket do ônibus, entre outras coisas, dependem do
encaminhamento político. Mesmo alguém sem acesso à informação deveria saber que
os meios de comunicação são igualmente geridos por decisões políticas. Como
alguém pode viver tão alheio a questões de suma importância?
NEM
ESTOU FALANDO DE MILITÂNCIA, ou partidarismo. Estou
falando do nosso direito individual e intransferível de escolher quem julgamos ser
melhor para nos representar no executivo e no legislativo.
A
MOCINHA DA HISTÓRIA sequer sonha que a loja dela só a mantém
trabalhando por decisões que passam pela sua própria decisão política. Fico
ainda mais apreensiva em pensar que o tal “André”
não deve colaborar em muita coisa, pois se fosse minimamente consciente já
teria conversado com a companheira sobre liberdade, inteligência e opinião
pessoal. Aff!!!
NÃO
É QUESTÃO DE GOSTO, temos que entender e pronto. Política é igual
a algumas leis básicas de convivência social, gostando ou não todo mundo
conhece... E as cumprem na maioria esmagadora das vezes. Quantas outras coisas
temos que entender pelo menos o básico para garantir uma convivência harmoniosa
e próspera?
EM
UM CURSO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO (beijo, meninas!) na semana
passada ouvi uma pergunta bastante pertinente de uma participante: “O que respondo quando alguém me diz que sou
louca em ser candidata a vereadora, que política é coisa suja?”
RESPONDA: “Louca é você em não incentivar a
participação de pessoas sérias para ocupar cargos tão importantes. Onde você
espera chegar com sua propaganda negativa? Como vamos “limpar” o setor com este
tipo de postura?”
IMAGINE
SE COMEÇÁSSEMOS a evidenciar o lado negativo de qualquer
posição, digamos dos médicos. Se uma grande massa comesse a repetir aos quatro
cantos que todo médico é um dinheirista, que só pensa em sua conta bancária,
que não cumpre os horários, que ganha propina para repassar certos tipos de
medicamentos, que alguns se aproveitam da função para abusar de clientes, etc,
etc, etc?
QUEM
PODERIA QUERER SER MÉDICO A PARTIR DE ENTÃO? Só os “loucos” que
se importassem acima de tudo com a saúde das pessoas, e os cretinos que não se
importassem com a opinião de um público de raciocínio tão raso e leviano – e estes
seriam a maioria, pode apostar.
NÃO
É OBVIO O RACIOCÍNIO? Tudo bem, mesmo que ainda não seja não
vou desistir de propagar meus ideais, até o dia em que todos os moinhos
respondam ou discutam à altura.
E
PARA TERMINAR... “Trabalhe como um adulto e acredite como uma
criança”. KS
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