terça-feira, 7 de agosto de 2012
TENHO CITADO NOS CURSOS QUE SOU MINISTRANTE de
Planejamento Estratégico de Campanha e Preparação do Discurso, as quatro
imagens criadas por Roger-gerad Schwartzenberg no
livro “O estado espetáculo”, que baseia-se em três áreas nas quais trabalho e
estudo: o teatro, a política e a comunicação.
O
LIVRO DE 1977 traz como idéia central o Estado como
um “produtor” de espetáculos e a política a sua encenação. Neste contexto a
figura do político enquadra-se na função do ator/personagem.
SUA
TEORIA APRESENTA QUATRO PAPÉIS PRINCIPAIS
que instintivamente ou não, os candidatos encarnam na campanha eleitoral e implantam
em suas administrações. Coincidentemente é possível associá-los a alguns presidentes
brasileiros pós-abertura democrática, veja só:
O
PRIMEIRO DELES É O HERÓI, aquele que
vai resolver todos os problemas, que é fora do comum, forte, providencial,
quase um o ídolo. Aqui não é difícil enquadrar Tancredo Neves e o Supercaçadordemarajás, Fernando Collor
de Mello.
O
SEGUNDO DELES É A MÃE OU O PAI DA PÁTRIA. Aquele que abraça todos seus
filhos, independente de suas características e defeitos, sem preconceitos. Fala
e defende todos igualmente, sendo duro e amável ao mesmo tempo. É o melhor
personagem para comandar tempos ou circunstâncias adversas. Ninguém melhor neste
personagem que a Presidente Dilma Roussef.
O TERCEIRO PAPEL É O DO
LÍDER CHARMOSO aquele que através de seu charme
conquista votos. Ele um gentleman,
elegante e galante, que convence pela sedução, não por argumentos. É o próprio
Fernando Henrique Cardoso – embora Collor também vestisse este figurino.
E
POR FIM O COMMON MAN OU O HOMEM
SIMPLES, “aquele que emerge das massas
para comandá-las”, para representá-las. Precisa identificar em nossa história
quem é? Claro, Lula.
ALGUNS
CANDIDATOS/POLÍTICOS agregam mais de um destes
personagens – o que dificulta a manutenção do papel. Mas é possível identificar
entre os candidatos de seu município quem exerce cada um destes papeis? É um exercício
interessante para fazer.
O
AUTOR FAZ AINDA A REFLEXÃO de que “A política,
outrora, era de idéias. Hoje, é (sic) pessoas. Ou melhor, personagens”. Mas eu
discordo. Poucas partes da história humana foram conduzidas politicamente por idéias,
o que justifica tão poucos bons exemplos. O poder político sempre esteve de mãos
dadas com o espetáculo ou grandes personagens, objetivando maquiar a falta ou
as más intenções de suas ideologias.
ANTES
DE A POLÍTICA EXISTIR, por volta de 500 anos a.C. a Grécia
já utilizava do espetáculo cênico para associar seu poder político e as pirâmides
do Egito o materializaram descomunalmente. De lá pra cá as civilizações só se
adaptaram às suas capacidades de espetacularização.
POR
ISSO É IMPRESCINDÍVEL contemporanizar a teoria e perceber que em uma atualidade
estruturada em rede e ambientada pela mídia é impossível não usar o recurso da
emoção, da sensibilização, e por fim da encenação, seus rituais e espetáculos. Mesmo
quando baseados em boas intenções.
A
PRÓPRIA COMUNICAÇÃO em suas diversas áreas quando não
trabalha produzindo espetáculo político implora para que alguém o produza. Penso
que o pior do espetáculo político é o que os meios de comunicação produzem: a leviandade
de DISCUTIR OS POLÍTICOS, AO INVÉS DE DISCUTIR POLÍTICA. Nada é mais
contraproducente a um povo do que a mídia valorizar mais as pessoas do que as
idéias.
POLÍTICA
É MUITO MAIS DO QUE MAUS EXEMPLOS PESSOAIS.
O primeiro é uma forma de promover a organização e harmonia social, o segundo é
apenas fofoca.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário