FICO
INDIGNADA QUANDO OUÇO COISAS DO TIPO: “Fulano não ganha esta eleição porque não tem dinheiro”. Este é o pior e mais injusto motivo para se
perder uma eleição.
ANALISEMOS
A PROBLEMÁTICA: sabemos da necessidade de condição
financeira mínima para viabilizar os custos de uma campanha. Mas afinal no que
um candidato precisa gastar? Basicamente na sua divulgação e de seus projetos.
SÃO
SANTINHOS, outdoors, placas, adesivos e demais matérias gráficos;
comícios e tudo que envolve estes eventos, do apresentador aos balões; carros
de som; linhas telefônicas; carro disponível para o candidato; pessoal de criação
e distribuição; aluguel de comitê; e gastos com programas de rádio e TV quando
há – que por sinal onera bastante o orçamento.
TUDO
ISTO NÃO É POUCO. Os gastos com esta organização pode chegar a
quantias mínimas muito altas para serem custeadas diretamente pela pessoa do
candidato. Então o que ocorre? Para os
candidatos, digamos limpinhos, inicia
uma humilde busca de doações entre amigos, parentes, um empréstimo pessoal e
trabalho voluntário. Mas nem todos são
assim.
É
IMPOSSÍVEL IDENTIFICAR O INÍCIO DA BOLA DE NEVE DA CORRUPÇÃO POLÍTICA no
país, mas podemos iniciar o raciocínio pela campanha eleitoral. Bem, se o
candidato não pode custeá-la, às vezes nem usando destas soluções caseiras,
como levar a diante o projeto?
ALTERNATIVA a) Ter fé nas pessoas; b) Desistir; c) Aliar ou “vender” o projeto a quem possa pagá-lo, ou seja,
comprometer-se com alguém que financie a campanha; d) Escolher um candidato rico que nada sabe sobre administração pública
e às vezes sequer gosta de gente; e) Aceitar
o candidato que o financiador indica... Tirando a primeira opção, as demais são
propícias ao que chamo de “VITÓRIA DO FRACASSO”.
GERALMENTE
A FRASE do primeiro parágrafo é dirigida ao candidato “limpinho”. Aquele que geralmente tem uma
vida já dedicada a causas sociais, que é sempre procurado nas horas de
necessidade. Que usa seu poder, seja ele proveniente de onde for, para
distribuir benefícios coletivos. Aquele que não tem acúmulo de fortuna justamente
porque é generoso e embasa seus atos num grande senso de justiça social e muita
vontade de trabalhar pelo todo.
AGORA
VEJA SÓ: ESTE É O QUE TEM MENOS CHANCE. “Porque não tem dinheiro...” para pagar a parte do pai de toda
ignorância e senhor da corrupção: o interesse pessoal do eleitor. É ele quem
onera a campanha exigindo desde o combustível para a carreata, até o piso da
cozinha. Passando aí pelos mais absurdos pedidos e desrespeito a quem pensa
política como algo sério – e acredite – tem gente que destes dois tipos.
É
O ELEITOR CORRUPTO que vende seu voto, negocia seu futuro
pessoal, empenha o futuro coletivo, ignora e acaba por assassinar o apelo dos
poucos candidatos ilibados que ainda insistem em não entregar ao bandido o
tesouro pertencente à sociedade. Qual o futuro de uma organização assim? Isto
que estamos vendo por aí... como se fosse algo caído do céu e não de nossa
responsabilidade.
É
POR ISSO QUE O FINANCIAMENTO PÚBLICO DE CAMPANHA
pode expurgar parte da corrupção política no país. Pois minimiza diferenças
financeiras, tornar mais justa e inteligente a disputa, valoriza a equidade
partidária, oblitera canais escusos de financiamento, libera os candidatos de
compromissos indesejados, desobriga as administrações a “retornar o
investimento prévio” e acima de tudo, tem gerenciamento, fiscalização e responsabilidade
direta da justiça eleitoral – que ainda funciona com competência e agilidade
acima da média das outras justiças no Brasil.
E
PARA TERMINAR... Afinal, já não é a sociedade quem paga um
alto preço por campanhas desmedidas e governos desonestos?
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