A EDUCAÇÃO NÃO FALIU, o que faliu foram
os moldes da sociedade. É inútil, portanto, tentar manter a organização que
hoje a escola pública dispõe. Ela não só
é ultrapassada, como perniciosa aos que dela dependem.
E A SOCIEDADE COMO A
CONHECEMOS HÁ 50 ANOS MUDOU por que o núcleo familiar não é mais o mesmo. A
hierarquia pai, mãe e filhos é hoje algo raro. É muito mais fácil encontrar
famílias do tipo avó/neto, tia/sobrinho, mãe/filho, madrinha/afilhado e
outras ligações consangüíneas ou afetivas do que o modelo concebido por nossa
cultura e maioria das religiões brasileiras.
E NESTA GRANDE
MUDANÇA está
essencialmente a falta da figura masculina, notadamente a ausência do pai.
O MAIS INCRÍVEL, é que as mudanças
comportamentais mais marcantes das ultimas décadas se deram no universo
feminino. Foram as mulheres que desestruturaram seu “status quo”, brandiram bandeiras
de liberdade e poder. Foram elas que mudaram seu papel fundamental no mercado
de trabalho, na economia, na condução de grupos familiares, na participação
efetiva das decisões políticas, na iniciativa de relacionamento, etc.
AO HOMEM RESTOU
ABANDONAR O BARCO
e assumir cada vez mais o papel descompromissado de padrasto. Eles assumem os
filhos de outros que estão ocupados assumindo os filhos de outros - numa dança
confusa, nociva e contraditória à educação que deveria nascer em casa.
COMO RESULTADO a efetiva responsabilidade
da criação dos filhos está sendo dividida com quem? A ESCOLA. E aí reside toda
a problemática atual, pois a escola é um centro de conhecimento, não de base
psicológica, afetiva e de formação de caráter... Mas como é exatamente a isto
que está se destinando, sem ter condições de assumir este papel, está cada vez
mais comparável a um depósito infanto-juvenil.
DEIXANDO DE LADO OS
LAMENTOS DA MUDANÇA
é hora de assumir que ela ocorreu e modificar o que pode ser modificado. A
família não voltará a ser o que era antes, e ponto. Então a escola deve
adaptar-se para receber a responsabilidade de dividir a criação de nossos
filhos. Seja com horários integrais, novos profissionais de diferentes áreas, mudanças
estruturais dos prédios escolares e modificação na formação do professor.
OS PROFESSORES DE
HOJE NÃO ESTÃO PREPARADOS PARA ASSUMIR esta mudança familiar e social sozinhos, no
final da linha. Somado a isto está a dificuldade da classe, que é formada
essencialmente por mulheres, de lidar com suas próprias dúvidas do que fazer
como mães.
É HORA DE REORGANIZAR
VALORES E CONDUTAS
e chamar os pais (homens) a co-responsabilidade por seus filhos - que não foram
concebidos sozinhos e que não vivem só de um deposito mensal, seja do valor que
for. De todos os pais que conheci até hoje somente três fazem questão de estarem
presentes na vida dos filhos com a maior e melhor freqüência possível, mesmo
depois que o relacionamento com as mães deixaram de existir, no mais o
interesse é uma lástima, um crime emocional grandioso.
COMO SE TRATA DE UMA
AMEAÇA AO EQUILÍBRIO SOCIAL é necessário haver intervenção do estado e instituições
para abrandar os resultados perturbadores que já estamos sentindo nas escolas,
nas ruas e nos novos lares – e que só tendem a se ampliar. É para isto que
serve o desenvolvimento de políticas públicas.
E PARA TERMINAR... Quem fará esta
adequação? Você, minha querida e querido leitor. Iniciando por valorizar seu
voto, na medida de sua participação nas decisões e proposições dos seus candidatos,
já eleitos ou não. LEMBRE-SE: QUEM NÃO É PARTE DA SOLUÇAO, É PARTE DO PROBLEMA.
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