quarta-feira, 25 de abril de 2012


SOBRE A GREVE DA EDUCAÇÃO. É inegável que este é um período de sacrifícios, mas historicamente nenhum importante direito foi conquistado com facilidade. Parece-me que os retrógrados lutam tão bravamente quando os progressistas (no sentido amplo da palavra, pois no “stricto” parece não funcionar assim).

NO MEIO DESTA NOVA BATALHA, penso que o mais importante é TER A LEITURA CORRETA DESTE MOVIMENTO. A tática do governo é jogar os pais contra os professores, como se estes deliberadamente estivessem prejudicando as crianças.

PRIMEIRO EMITE NOTA DIVULGANDO aumento de 138% no salário dos professores, o que de fato, NÃO É VERDADE. Talvez alguém tenha ganho, mas não alguém dos aproximadamente 400 professores que escutei nestes últimos dias. Esta é uma forma inteligente de colocar os demais contra uma categoria, que além de levar o maior aumento salarial do Brasil ainda estaria causando baderna e prejudicando seus filhos.

O GOVERNO TAMBÉM ANUNCIOU que nesta segunda-feira 56 escolas realizaram conselhos de classe, por tanto não estavam em greve. O que também ou não é verdade ou é uma afronta ao calendário estabelecido pela Secretaria de Educação que PROIBE conselhos de classe em horário de aulas. Mas este detalhe também é de conhecimento só dos professores que não possuem condições de ir à mídia esclarecer a sociedade, tal qual o governo faz usando dinheiro público para dar sua versão dos fatos. A justiça deveria estabelecer direitos iguais de uso da mídia em favor da verdade, que nunca pode ser duas.

POR SUA VEZ, O SINTE divulga carta aos pais explicando o não cumprimento da lei por parte do governo e chora suas mágoas, humilhações e descaso e limita este seriíssimo debate ao pagamento ou não de direitos salariais ou cumprimento ou não de leis. Lógico que isto é importante, porém estas são conseqüências de como está se ENCAMINHANDO A EDUCAÇAO EM SANTA CATARINA.

QUE PASSA SIM, POR SALÁRIOS DIGNOS dos profissionais e seriedade governamental, mas acima de tudo passa trata-se do plano (ou falta dele, no caso) de educação para o estado. Sejamos práticos, ninguém está nem aí pro salário do professor, todo mundo sente pena e... E só, por que todos estão num barco em águas difíceis de navegar. Ninguém fora da área educacional vai se envolver na questão enquanto não visualizar sua perda pessoal. E para inserir a sociedade nesta discussão sejamos práticos:

·     Por que quem pode mantém seu filho na escola particular? Porque lá há melhor educação.
·          Por quê? Porque há melhores professores.
·          Por quê? Porque ganham mais e têm mais condições de trabalho.
·          Então quem vai querer dar aula para nossos filhos na escola pública? O que sobrar.
·         Você quer a “sobra” para seu filho?

É DISTO QUE ESTAMOS FALANDO, AFINAL. É deste círculo injusto apoiado pelo governo que cria uma elite com direitos, reservas e possibilidades e mantém uma gama gigantesca de excluídos, limitados e incapazes.

PAIS, O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM OS PROFESSORES É SÓ UMA PARTE DA AMPUTAÇAO SOCIAL QUE NOSSOS FILHOS ESTÃO SOFRENDO. Quem mais perde somos nós e não a categoria. Porque bons professores têm lugar em boas escolas e com bons salários - a estes nunca faltará trabalho. Só não têm chances com o governo.

ANTES QUE HAJA UM ESVAZIAMENTO de bons profissionais que ainda estão nas escolas públicas sofrendo todos os descasos, podemos exigir o bom uso de nosso dinheiro publico. E que melhor destinação que não o futuro de nossos filhos?

E PARA TERMINAR... Quantos pais e alunos entrarão em greve independentemente dos educadores, para exigir seu direito a bons professores e, por conseguinte a uma melhor educação e futuro?

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