SOBRE
A GREVE DA EDUCAÇÃO. É inegável que este é um período de
sacrifícios, mas historicamente nenhum importante direito foi conquistado com
facilidade. Parece-me que os retrógrados lutam tão bravamente quando os progressistas
(no sentido amplo da palavra, pois no “stricto” parece não funcionar assim).
NO
MEIO DESTA NOVA BATALHA, penso que o mais importante é TER A
LEITURA CORRETA DESTE MOVIMENTO. A tática do governo é jogar os pais contra os professores,
como se estes deliberadamente estivessem prejudicando as crianças.
PRIMEIRO
EMITE NOTA DIVULGANDO aumento de 138% no salário dos
professores, o que de fato, NÃO É VERDADE. Talvez alguém tenha ganho, mas não
alguém dos aproximadamente 400 professores que escutei nestes últimos dias. Esta
é uma forma inteligente de colocar os demais contra uma categoria, que além de levar
o maior aumento salarial do Brasil ainda estaria causando baderna e prejudicando
seus filhos.
O
GOVERNO TAMBÉM ANUNCIOU que nesta segunda-feira 56 escolas
realizaram conselhos de classe, por tanto não estavam em greve. O que também ou
não é verdade ou é uma afronta ao calendário estabelecido pela Secretaria de
Educação que PROIBE conselhos de classe em horário de aulas. Mas este detalhe também
é de conhecimento só dos professores que não possuem condições de ir à mídia
esclarecer a sociedade, tal qual o governo faz usando dinheiro público para dar
sua versão dos fatos. A justiça deveria estabelecer direitos iguais de uso da
mídia em favor da verdade, que nunca pode ser duas.
POR
SUA VEZ, O SINTE divulga carta aos pais explicando o não
cumprimento da lei por parte do governo e chora suas mágoas, humilhações e
descaso e limita este seriíssimo debate ao pagamento ou não de direitos
salariais ou cumprimento ou não de leis. Lógico que isto é importante, porém estas
são conseqüências de como está se ENCAMINHANDO A EDUCAÇAO EM SANTA CATARINA.
QUE
PASSA SIM, POR SALÁRIOS DIGNOS dos profissionais e
seriedade governamental, mas acima de tudo passa trata-se do plano (ou falta
dele, no caso) de educação para o estado. Sejamos práticos, ninguém está nem aí
pro salário do professor, todo mundo sente pena e... E só, por que todos estão num
barco em águas difíceis de navegar. Ninguém fora da área educacional vai se
envolver na questão enquanto não visualizar sua perda pessoal. E para inserir a
sociedade nesta discussão sejamos práticos:
· Por que quem pode mantém seu filho na
escola particular? Porque lá há melhor
educação.
·
Por quê? Porque
há melhores professores.
·
Por quê? Porque
ganham mais e têm mais condições de trabalho.
·
Então quem vai querer dar aula para nossos
filhos na escola pública? O que sobrar.
· Você
quer a “sobra” para seu filho?
É
DISTO QUE ESTAMOS FALANDO, AFINAL. É deste círculo injusto apoiado
pelo governo que cria uma elite com direitos, reservas e possibilidades e mantém
uma gama gigantesca de excluídos, limitados e incapazes.
PAIS,
O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM OS PROFESSORES É SÓ UMA PARTE DA AMPUTAÇAO SOCIAL
QUE NOSSOS FILHOS ESTÃO SOFRENDO. Quem mais perde somos nós e
não a categoria. Porque bons professores têm lugar em boas escolas e com bons
salários - a estes nunca faltará trabalho. Só não têm chances com o governo.
ANTES
QUE HAJA UM ESVAZIAMENTO de bons profissionais que ainda estão
nas escolas públicas sofrendo todos os descasos, podemos exigir o bom uso de
nosso dinheiro publico. E que melhor destinação que não o futuro de nossos
filhos?
E
PARA TERMINAR... Quantos pais e alunos entrarão em greve
independentemente dos educadores, para exigir seu direito a bons professores e,
por conseguinte a uma melhor educação e futuro?
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