VISÕES DO ANO NOVO
VINICIUS DE MORAES - "Chega de ficar quebrando a cara com os velhos erros de sempre; Quero cometer erros novos; Passar por apertos diferentes; situações desconhecidas; Sair da rotina e do lugar comum. Esse ano eu preciso crescer; Chega de saber a saída e ficar parado na porta; Ensaiando os passos sem nunca entrar na estrada; Esperando que me venha o que eu mais preciso encontrar. Esse ano, se eu tiver que sofrer,será por sofrimentos reais e nunca mais por males imaginários; Preocupado com coisas que jamais acontecerão.Chega de planejar o futuro e tropeçar no presente; Chega de pensar demais e fazer de menos; Chega de pensar de um jeito e fazer de outro; Chega do corpo dizer sim e a cabeça não; Chega desses intermináveis conflitos que me fazem adiar para nunca a minha decisão."
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - “Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?) Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
MARIO QUINTANA - Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano Vive uma louca chamada Esperança E ela pensa que quando todas buzinas Todos os tambores Todos os reco-recos tocarem: - Ó delicioso vôo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança E em torno dela indagará o povo: - Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo ) Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam: - O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA …
CLARICE LISPECTOR – “Não pedi coisas demais para não confundir Deus que à meia-noite de ano novo está tão ocupado.”
FRANCISMAR LEAL – “Novo Ano... Mais um ano...Ou seria menos um?”
Nenhum comentário:
Postar um comentário